Cerâmica

O processo começa com a retirada do barro cru, encontrado nos mangues, nos arredores de Icoaraci, principal cidade produtora do artesanato em cerâmica, a 15 Km de Belém. Os "tiradores" de barro, como são chamados, utilizam pequenos barcos feitos de tronco para o transporte da matéria - prima até os pequenos armazéns nas margens dos igarapés. Lá é feita a primeira limpeza e o beneficiamento, normalmente por meio de tração animal. O barro é vendido em bolas, de peso mais ou menos uniforme.

Começa, então, o trabalho do artesão propriamente dito. Assim que chega na olaria a argila é limpa novamente com fios de cobre. Depois é amassada manualmente até que se obtenha uma consistência uniforme na massa.

Só depois de um paciente trabalho de preparação é que o artesão põe sua "távola" giratória para funcionar. Este é um dos mais importantes instrumentos do ceramista. É aí que o artesão começa a dar forma às peças.

Algumas exigem emendas, devido à sua forma. Outras trazem figuras em relevo que são moldadas isoladamente e depois unidas ao conjunto ainda úmido.

Já em sua forma definitiva, a peça sofre um processo de pré-endurecimento, com a secagem natural. Nessa fase a peça é tingida com uma mistura de corantes naturais, de um vermelho "piçarra" ou bege bem claro. Algumas são deixadas na cor natural do barro. Depois disso a peça é polida com uma semente para ganhar brilho natural.

Sobre essa base é feito o trabalho de gravação, com estiletes ou desenho com pincel. Os motivos são os mais diversos. Vale destacar que grande parte desta produção é representada por cópias fiéis de importantes originais da cerâmica marajoara ou tapajônica, que fazem parte do acervo do Museu Paraense Emílio Goeldi, em Belém. Depois do processo natural de envelhecimento algumas peças parecem autênticos achados arqueológicos.

Em seguida o cozimento é feito em rústicos fornos de barro, onde as peças são colocadas sobre um estrado e cobertas com pedaços imprestáveis de outras peças quebradas. Com isso se obtém a vedação térmica desejada. Só depois de todo esse processo é que a peça está pronta para a venda.

Cerâmica Maracá

Tem como berço o Estado do Amapá, porém é no Distrito de Icoaraci que se desenvolve este trabalho. As urnas funerárias encontradas no Vale do Rio Maracá são de três tipos: tubulares, zoomorfas e antropomorfas.

Cerâmica Marajoara

É inspirada na História da Civilização Marajoara. São povos que viviam concentrados às margens do lago Arari. São cinco fases arqueológicas na Ilha do Marajó, que correspondem a diferentes culturas e níveis de ocupação:

Ananatuba

Marcada por incisões e hachurado. Os principais objetos são tigelas e igaçabas.

Mangeuiras

Seu traço principal é a borda incisa, particularmente no que diz respeito à ornamentação.

Formiga

Fase pobre. Não apresenta características de modo a ser encaixada em um determinado estilo.

Marajoara

Caracteriza-se pela exuberância e variedade de decoração, utilizando pintura vermelha e preta sobre engobo branca.

Aruã

A louçaria Aruã é a mais inferior e bem simples, sem decoração. Apenas as urnas para enterramentos secundários tinham decoração.

Cerâmica Tapajônica

É tridimensional, feita com uma mistura de cauxi e cariapé. As características são figuras humanas e de animais. Esse tipo de cerâmica apresenta peças pequenas, como cariátides, gargalo, ídolos, pratos, etc.
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