Troncos Lingüísticos

O termo genérico "índio" abrange uma variedade de povos muito diferentes entre si do ponto de vista social, lingüístico e cultural. A língua talvez seja o caminho mais fácil para tornar clara essa diversidade entre os vários povos. No Estado do Pará destacam-se basicamente três troncos lingüísticos: MACRO JÊ, TUPI e KARIB.

Karib

No Estado do Pará todos os povos KARIB, com exceção dos Arara, situam-se ao Norte do Rio Amazonas. São formados pelos Arara, Aparaí, Hixkaryana, Karafawyana, Katuena, Kaxuyana, Tiryió, Xereu, Wai Wai e Wayana. Entre os do Norte e os do Sul há uma grande afinidade lingüística. No entanto, em outros aspectos culturais, se diferenciam bastante a partir do seu meio ambiente, como o tempo e a freqüência do contato interétnico com outros povos indígenas e com a sociedade nacional. O parentesco tem um papel importante na organização social desses povos. Entre os Wayana-Apalai a composição das aldeias baseia-se, essencialmente, nos laços de parentesco. Geralmente o líder - chamado tamuxi ou tipatakim - é o fundador da aldeia. As aldeias Karib são geralmente pequenas. Esses povos baseiam-se na cooperação para o trabalho das roças e casas, na troca de alimentos e nas atividades de pesca e caça coletiva.

Tupi

Os povos TUPI, em relação à língua, podem ser divididos basicamente em famílias linguísticas TUPI-GUARANI, ou simplesmente TUPI. Há grande variação entre eles: o estilo das aldeias, as formas das casas, terminologias de parentesco, as estruturas cerimoniais, a atitude face à guerra e a importância do Xamanismo. No Estado do Pará os TUPI são: Juruna, Kuruaya, Munduruku e Xipaya e os Tupi-Guarani são: Amanayé, Anambé, Apiaká, Assuriní, Araweté, Guarani, Kaapor, Kayabí, Parakanã, Suruí, Tembé e Z' oé. As aldeias Tupi apresentam, aparentemente, forma desordenada, composta, na maioria das vezes, de uma família extensa. As casas ficam perto umas das outras sem uma ordenação aparente, agrupando uma ou mais famílias nucleares. Também fazem uso da pintura corporal, principalmente nas festas cerimoniais. No cotidiano podem ficar sem ela.

Macro Jê

No Estado do Pará a maioria dos povos indígenas, que fala línguas oriundas do tronco linguístico MACRO-JÊ, filia-se à família linguística JÊ, onde se incluem os Parketjê (Gavião) e os Kaipó, divididos em vários subgrupos: A' ukre, Gorotire, Kararaô, Kikretum, Kokraimoro, Kuben-Kranken, Mebgnokre, Menkranotí, Pukanu, Xicrin do Bacajá e Xicrin do Cateté. Esses grupos apresentam características comuns, como o formato das aldeias. As casas são posicionadas em círculos, com um "centro" formando uma grande praça, considerada o lugar dos homens. Ali eles se reúnem quase todo dia para tomar as decisões. Outro círculo, onde ficam as casas, é o lugar das mulheres, da vida , da reprodução dos indivíduos. O uso da pintura corporal é outra característica marcante desses povos. A pintura define o sexo, a faixa etária, a condição social e momentos importantes na vida do indivíduo (fim do resguardo, nomeação, etc.).
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